Lagos é uma cidade portuária histórica no Algarve ocidental, célebre pelo seu papel na Era dos Descobrimentos portugueses e pela sua espectacular costa de falésias douradas e enseadas escondidas.
O antigo nome da cidade — Lacobriga — indica origens celtas que remontam a aproximadamente 2.000 anos a.C. Durante séculos foi um porto visitado pelos Fenícios, e durante a ocupação romana a cidade prosperou e cresceu. No século X, os Árabes construíram uma dupla cintura de muralhas, mas isso não foi suficiente para impedir os Cristãos de conquistarem a cidade em 1249.
O século XV foi uma época de ouro para Lagos. Durante 40 anos, graças à sua localização em frente a África, a cidade tornou-se um porto de partida e chegada para os navios que partiam ano após ano em viagens de descoberta ao longo da costa africana. Um centro de comércio de ferro, ouro, prata e outras mercadorias exóticas trazidas de África, Lagos atraiu mercadores e banqueiros, portugueses e estrangeiros, e canalizou a sua riqueza para novas igrejas e casas sumptuosas.
Novas muralhas, construídas no século XVI, marcaram a expansão urbana da cidade, que a partir de 1573 foi sede episcopal e residência dos governadores do Algarve. O terramoto de 1755 e o maremoto que se seguiu destruíram grande parte da cidade, que só começou a recuperar alguma da sua antiga prosperidade em meados do século XIX. Hoje Lagos é uma cidade vibrante, orgulhosa do seu passado.
Monumentos Históricos
Castelo dos Governadores
De construção árabe e possivelmente uma antiga fortaleza, este edifício sofreu muitas alterações ao longo do tempo. Durante os séculos XVI e XVII foi a residência dos Governadores e Capitães Generais do Algarve.
A fachada inclui uma janela em estilo manuelino de onde, segundo a tradição, o Rei D. Sebastião assistiu à missa antes de partir para a fatídica Batalha de Alcácer-Quibir em 1578. No jardim encontra-se um painel evocando esta batalha, da autoria do escultor João Cutileiro, e uma escultura alusiva ao navegador Gil Eanes.
Forte da Ponta da Bandeira
Também conhecido como Forte do Pau da Bandeira, esta construção defensiva do século XVIII possui fosso e ponte levadiça. Situado junto à ribeira de Bensafrim e ao mar, o pequeno areal onde foi construído assistiu aos primeiros mercados de escravos na época em que os portugueses iniciavam as suas primeiras aventuras marítimas sob a orientação do Infante D. Henrique.
Hoje o local é utilizado para celebrar uma das festas mais tradicionais de Lagos: o Banho 29. Considerado purificador em tempos idos, a população do concelho deslocava-se para tomar banho de mar à meia-noite no dia 29 de Agosto.
Marina de Lagos
Do outro lado da ponte para pedestres que se abre para deixar passar os veleiros de altos mastros, a Marina convida a desfrutar a paisagem tranquila dos barcos ancorados frente às esplanadas. A marina é uma instalação moderna que oferece amarrações para iates visitantes e uma agradável zona ribeirinha com restaurantes e cafés.
Museus
Museu Municipal Dr. José Formosinho
Anexo à Igreja de Santo António, este museu possui uma importante colecção de obras de arte religiosa, com pinturas dos séculos XVII e XVIII. O museu também alberga achados arqueológicos da região, incluindo mosaicos romanos e artefactos da Era dos Descobrimentos.
Igrejas
Igreja de Santo António
Anexa ao Museu Regional, a Igreja de Santo António é um dos mais notáveis ex-libris da cidade. A data provável da sua construção inicial situa-se durante o reinado de D. João V, mas foi reconstruída após o terramoto de 1755 pelo comandante do Regimento de Infantaria de Lagos.
O interior é célebre pela sua exuberante talha dourada barroca, considerada das mais belas de Portugal, com entalhes intrincados a cobrir as paredes e o tecto.
Igreja de São Sebastião
Edificada no local onde existiu a Ermida de Nossa Senhora da Conceição, foi transformada em igreja no século XV. Sofreu ampliações e reconstruções após o terramoto de 1755.
A Igreja de São Sebastião situa-se numa zona elevada da cidade e possui uma grande torre sineira com relógio. No interior de tecto alto, três naves estão separadas por colunas dóricas. Possui capelas laterais, uma Capela dos Ossos e um altar em talha dourada, cujo crucifixo se diz ter estado na Batalha de Alcácer-Quibir. A igreja foi classificada como Monumento Nacional.
Igreja do Carmo
Parte de um antigo mosteiro do século XVI, a Igreja do Carmo apresenta proporções harmoniosas. O edifício encontra-se actualmente parcialmente em ruínas, mas permanece uma evocação da arquitectura religiosa do período.
Igreja de Santa Maria
Este edifício, de fachada simétrica, remonta ao século XV/XVI. O seu portal principal possui colunas dóricas e bustos de São Pedro e São Paulo de cada lado da arquivolta. O portal lateral está datado de 1568.
Praias e Atracções Naturais
Ponta da Piedade
A sul de Lagos, a Ponta da Piedade é uma das mais espectaculares atracções naturais do Algarve. Imponentes falésias douradas erguem-se sobre águas cristalinas, com grutas, cavernas e arcos de rocha esculpidos por milénios de erosão. Os passeios de barco a partir da marina de Lagos oferecem uma forma inesquecível de explorar as grutas e enseadas escondidas.
Praia Dona Ana
Uma das praias mais fotografadas do Algarve, a Praia Dona Ana apresenta areia dourada abrigada por dramáticas falésias de cor ocre. A praia possui excelentes infra-estruturas e águas calmas e cristalinas, ideais para banhos.
Meia Praia
A Meia Praia é a praia mais extensa da zona de Lagos, estendendo-se por mais de 4 quilómetros ao longo do lado oriental da baía. Com a sua vasta extensão de areia dourada, é ideal para longos passeios e desportos náuticos.
Informações Práticas
Como Chegar: Lagos fica a aproximadamente 90 km a oeste de Faro. A cidade é servida pela estação ferroviária de Lagos na linha regional do Algarve (via Tunes), com ligações regulares a Faro e Lisboa. De carro, utilize a autoestrada A22 (Via do Infante).
Marina: A Marina de Lagos oferece instalações modernas para iates visitantes e é ponto de partida para passeios de barco às grutas e cavernas da Ponta da Piedade.
Melhor Altura para Visitar: As praias estão mais cheias em Julho e Agosto. A Primavera e o Outono oferecem tempo agradável com menos multidões, ideal para explorar o centro histórico e percorrer os trilhos costeiros.