Castelo de Silves, Algarve, Portugal

Sobre Silves

O vermelho escuro das poderosas muralhas do castelo que se erguem sobre a cidade e a paisagem circundante. O jogo de pedra e luz na arquitectura gótica. Os vestígios da presença mourisca na história da cidade. As ruas de casas brancas que reflectem o sol e o céu azul. Aqui reside o encanto de Silves, onde o passado se funde com o presente.

A folhagem verde-escura das laranjeiras nos vales férteis. O mar azul e a vida agitada de uma estância balnear internacional. O charme pitoresco das casas rodeadas de amendoeiras e alfarrobeiras. A vastidão das colinas que são um refúgio para caminhantes e amantes da natureza. Estas são algumas das atracções do concelho de Silves, um destino de férias onde é um prazer simplesmente estar vivo.

História

A presença do homem durante o período Paleolítico é confirmada por sítios arqueológicos. Toda a área do actual concelho de Silves foi habitada durante o período Neolítico e as Idades do Bronze e do Ferro, como atestam numerosos achados arqueológicos. Particularmente impressionantes são os abundantes monumentos megalíticos e menires esculpidos no arenito vermelho e calcário da região.

O rio Arade tem sido desde tempos imemoriais a rota para o interior preferida pelos navios dos povos mediterrânicos - fenícios, gregos e cartagineses - que eram atraídos à região pelo cobre e ferro extraídos no Algarve ocidental. No século IV a.C., Silves ostentava uma forte muralha defensiva e nos séculos seguintes foi ocupada tanto pelos romanos como pelos mouros.

Foi com a invasão muçulmana, que começou por volta de 714/716, que Silves se tornou uma cidade próspera. No século XI era a capital do Algarve e, segundo alguns autores, superava Lisboa em tamanho e importância. Nesta época, Silves era também um centro de cultura, lar de poetas, cronistas e legisladores.

D. Sancho I cercou a cidade em 1189. O seu exército foi auxiliado por cruzados do Norte da Europa que iam a caminho da Terra Santa. A luta por Silves foi longa e cruel. Mas o domínio português foi inicialmente curto e em 1191 a cidade foi reconquistada pelos mouros. A conquista cristã definitiva ocorreu entre 1242-1249, durante o reinado de D. Afonso III.

Os séculos que se seguiram foram difíceis para Silves. Com o corte dos antigos laços com o Norte de África e o progressivo assoreamento do rio, viu-se afastada do lucrativo comércio marítimo. O golpe de misericórdia veio em 1534, com uma bula papal que permitiu a transferência da sede episcopal para Faro. Mas na segunda metade do século XIX, os frutos secos e sobretudo a cortiça deram nova vida à cidade.

A Cidade

Silves conserva muito do seu antigo encanto nas ruas da velha 'almedina', que ainda mantêm o traçado medieval. Os edifícios que se estendem das muralhas até ao rio são, em muitos casos, belos exemplos de arquitectura burguesa do final do século XIX e primeiras décadas do XX, testemunho da nova prosperidade trazida pelo negócio da cortiça.


Castelo

O maior castelo do Algarve e o mais belo monumento militar do período islâmico em Portugal. Tem a sua origem nas muralhas construídas em redor da vila durante a ocupação moura, provavelmente no local de fortificações tardo-romanas ou visigóticas (séculos IV/V). As suas onze torres, duas das quais são barbacãs ligadas às muralhas por um arco de suporte, e as grossas paredes encerram uma área de aproximadamente 12.000 m². A entrada dupla é defendida por duas torres e a abertura da 'porta dos traidores' nas muralhas viradas a norte ainda permanece. Quatro das torres têm portais góticos, salas abobadadas e pedras com marcas de canteiros medievais.

Castelo de Silves

Sé Velha (Antiga Catedral)

Construída com o fino arenito vermelho da região, possivelmente no local da antiga mesquita, foi iniciada na segunda metade do século XIII ou no início do XIV. As obras continuaram até meados do século XV depois de parte da estrutura ter ruído. A fachada principal é dominada pelo portal gótico encimado por um balcão sustentado por mísulas com gárgulas. O interior é constituído por três naves, com pilares simples e arcos ogivais. A beleza do transepto e da abside torna-os um bom exemplo de arte gótica. No chão encontram-se lápides, uma das quais assinala o antigo local de repouso de D. João II (1455-1495).

Sé de Silves

Igreja da Misericórdia

Este edifício data do século XVI e as suas origens manuelinas são evidentes numa porta lateral muito decorada, colocada acima do nível do solo, que era possivelmente a antiga entrada da igreja. A fachada principal tem um pórtico de desenho clássico. O interior é constituído por uma única nave. A capela-mor tem uma abóbada de nervuras e um retábulo renascentista (século XVI) com pinturas de época posterior. A igreja possui uma colecção de bandeiras de misericórdia ainda usadas em procissões.

Igreja da Misericórdia

Capela de Nossa Senhora dos Mártires

Situada fora das antigas muralhas da cidade, foi inicialmente construída no século XII para receber os restos mortais dos soldados portugueses e cruzados que morreram durante a primeira campanha de conquista de Silves. Foi reconstruída no século XVI e novamente no XVIII. A fachada principal é de estilo barroco enquanto a decoração denticulada na capela-mor pertence ao período manuelino. A capela contém ainda dois retábulos de talha dourada originários da Catedral (século XVIII).


Pelourinho

Símbolo do poder municipal, este monumento de pedra foi reconstruído a partir de restos do século XVI. Comum em vilas de outras partes de Portugal, é a única estrutura deste tipo em todo o Algarve.


Cruz de Portugal

Localizada junto à antiga estrada que constituía a ligação com o norte e com o reino de Portugal (daí talvez o seu nome), desconhece-se a data exacta da sua construção (século XV ou início do XVI). É uma das cruzes mais belas de Portugal e tem de um lado uma representação da crucificação e do outro a Mater Dolorosa. A base data de 1824.

Cruz de Portugal

Muralhas da Cidade

Segundo a descrição deixada por um cruzado que participou na conquista de Silves, as defesas da vila consistiam, além do castelo, em três linhas de muralhas. Destas muralhas defensivas restam apenas alguns troços construídos em arenito vermelho e taipa e algumas torres que outrora protegiam a zona residencial 'almedina' de Silves. Das quatro portas da almedina resta apenas o Torreão da Porta da Cidade, uma barbacã construída nos séculos XII ou XIII que dá acesso, através de dois corredores, à cidade.


Ponte sobre o Rio Arade

Datando do período medieval, até há poucos anos era esta estrutura que ligava Silves à costa.


Museu Municipal

Encostado a uma secção das muralhas da cidade, este edifício contém um poço de origem mourisca (século XI) revestido de pedra e taipa com aproximadamente 18 metros de profundidade e 2,6 metros de diâmetro. Degraus conduzem em espiral até ao fundo. O poço foi tapado no século XVI e a casa que agora alberga o museu foi construída sobre ele. As colecções do museu incluem achados arqueológicos de todo o concelho, incluindo uma colecção particularmente interessante de cerâmica moura das escavações realizadas no castelo.

Museu Municipal

Locais de Interesse no Concelho

São Bartolomeu de Messines

Situado num longo vale fértil, algumas ruas de São Bartolomeu como a Rua do Remexido - atravessada por um arco - conservam o charme de uma típica vila algarvia. O poeta João de Deus (1830-1896), cuja "Cartilha Maternal" foi amplamente usada para ensinar a ler e escrever no final do século XIX e início do XX, nasceu aqui.

Igreja Matriz - A igreja original foi construída no século XVI, num estilo de transição entre o manuelino e o renascentista. A esta foi acrescentada no início do século XVIII uma fachada barroca. O interior é composto por três naves com arcos de volta redonda apoiados em colunas salomónicas. As duas capelas colaterais têm abóbadas de nervuras manuelinas, enquanto os arcos das capelas laterais mostram a influência do estilo renascentista posterior. Há belos retábulos de talha dourada e os frontões policromos com a sua decoração barroca merecem atenção. O elegante púlpito com a sua escadaria de pedra é feito de mármore local e é uma pequena obra-prima de trabalho barroco.

Igreja de São Bartolomeu de Messines

Algoz

Verdejantes laranjeiras, figueiras e amendoeiras rodeiam esta aldeia que ainda conserva algumas casas antigas com chaminés lindamente decoradas e ermidas caiadas de branco.

Igreja Matriz - Apresentando a simplicidade arquitectónica do século XVIII no exterior, esta igreja tem no seu interior vários tesouros artísticos, desde os azulejos do século XVII que cobrem as paredes e o tecto do baptistério até ao retábulo de talha dourada em estilo rococó que adorna a Capela do Santíssimo.

Celeiro do Monte da Piedade - Este edifício pertenceu à antiga associação mutualista que apoiava os seus membros com empréstimos. A entrada foi possivelmente construída usando cantaria do século XVI. Além de uma placa com a data de 1704, a fachada tem uma janela circular decorativa e uma cruz feita de azulejos policromos padronizados (século XVIII).

Ermida de Nossa Senhora do Pilar - Situada no cimo de uma colina, esta capela rural é um bom local para contemplar a paisagem circundante.


Alcantarilha

Com as suas paredes caiadas de branco, a igreja de Alcantarilha domina uma aldeia de modestas casas espalhadas graciosamente pela encosta.

Igreja Matriz - Da estrutura original do século XVI resta apenas a capela-mor manuelina, à qual foi posteriormente acrescentado um retábulo de talha dourada do século XVIII. A capela baptismal tem silhar de azulejos (século XVII) e na sacristia há uma bela arca sobre a qual se encontra um nicho decorado com folhas de acanto (século XVIII). Junto à igreja encontra-se a macabra Capela dos Ossos, com as paredes e o tecto revestidos de aproximadamente 1.500 crânios.

Igreja da Misericórdia - Pouco notável pelo exterior, no interior desta igreja vale a pena ver a imagem e o retábulo de talha dourada no altar.


Pêra

Nas ruas em redor da igreja de Pêra, muitas das casas têm um aspecto tipicamente algarvio.

Igreja Matriz - A talha dourada dos retábulos na capela-mor, nas capelas laterais e nas capelas de Nossa Senhora do Rosário e Sagrado Coração de Jesus são representativas da arte no Algarve da época (século XVIII). Os tesouros sacros da igreja incluem paramentos e uma custódia de prata finamente trabalhada. O adro oferece excelentes vistas dos campos circundantes e do mar.


Armação de Pêra

Durante séculos uma aldeia piscatória, ponto focal para pescadores atraídos pela abundância de peixe, especialmente sardinha e atum, que era salgado e vendido no sul e centro de Portugal. Para defender o povoado dos ataques de piratas e corsários, foi construído no século XVII um pequeno forte por iniciativa de um próspero armador. Uma das paredes desta antiga fortificação, com um portal e acima dele o brasão real, ainda se ergue numa pequena elevação com vista para o mar. A capela no interior, dedicada a Santo António, data do mesmo período.

Hoje em dia, as redes dos pescadores ainda se vêem na Praia dos Pescadores. Mas é aos turistas que vêm pelas suas areias largas e águas quentes que Armação de Pêra deve agora a sua atmosfera animada e cosmopolita.

Armação de Pêra

Paisagem Natural

O vasto triângulo definido por Silves, São Bartolomeu de Messines e Armação de Pêra é uma terra de árvores de fruto e hortas, de pequenas aldeias onde as casas têm paredes caiadas de branco com portas e janelas pintadas de azul, e chaminés ornamentadas que parecem uma versão mais sólida de renda.

Um passeio por esta região é uma oportunidade de apreciar as cores brilhantes das laranjas, a folhagem verde das amendoeiras, as copas largas das alfarrobeiras e as figueiras que muitas vezes se curvam até ao chão.

Para norte ficam as colinas, suaves e redondas como seixos, cobertas de vegetação tipicamente mediterrânica composta por azinheiras, medronheiros, carvalhos, estevas e giestas. Numa paisagem de calor e luz, as barragens do Arade e do Funcho abrem-se como janelas frescas e as casas brancas dispersas das aldeias oferecem um alívio bem-vindo. A área no seu conjunto é lar de uma variedade de vida animal, incluindo aproximadamente 80 espécies de aves nidificantes.

Informações Práticas

Como Chegar

De Carro: Silves fica a aproximadamente 50 km a noroeste de Faro. Tome a autoestrada A22 e saia em Lagoa, depois siga as indicações para Silves.

De Autocarro: Serviços regulares de autocarro ligam Silves a Faro, Portimão e Lagos.

De Comboio: Silves tem uma estação ferroviária na linha do Algarve.

Melhor Época para Visitar

Silves pode ser visitada durante todo o ano. A Feira Medieval em Agosto traz a história da cidade à vida com justas, mercados medievais e entretenimento tradicional.

Região de Silves