Ainda não descaracterizada pela indústria turística que estraga tantos locais do Algarve, Tavira é uma bonita cidade localizada em ambas as margens do rio Gilão, ligadas por uma ponte de origem romana.
Tavira está cheia de igrejas históricas — 37, no total. De todos os templos, a Igreja de Santa Maria do Castelo é particularmente interessante, com a sua torre com relógio e portal gótico.
Os distintivos telhados em estilo "tesouro", o rio como um espelho a reflectir casas e jardins, as amplas vistas de mar e areia — são alguns dos encantos desta cidade de arte e história, paragem obrigatória em qualquer roteiro cultural do Algarve.
História
Esta zona tem sido povoada desde os tempos da dominação romana. Uma importante estrada romana seguia a costa, ligando Baesuris (Castro Marim) a Ossonoba (Faro), atravessando o rio Gilão pela ponte, junto à antiga região da Balsa. No último quartel do século XIX, Estácio da Veiga descobriu as ruínas romanas da Balsa.
Em 712, um ano depois de Tarique invadir a Península, os Mouros conquistaram o Algarve. No século XI, Tabira (Tavira) era um dos principais povoamentos do Al-Garb, juntamente com Santa Maria al Harum (Faro) e Silb (Silves).
Durante a Reconquista Cristã, Tavira foi tomada aos mouros em 1242 por D. Paio Peres Correia como represália pelo assassínio traiçoeiro de sete dos seus cavaleiros. Em 1266, D. Afonso III concedeu-lhe foral. D. João II permaneceu em Tavira de Junho a Setembro de 1489, e foi elevada a cidade por D. Manuel em 1520.
A importância de Tavira durante a época dos Descobrimentos resultou da sua localização portuária privilegiada — a mais próxima da costa marroquina. A vila prosperou através da pesca e do comércio marítimo baseado nas exportações de peixe salgado, frutos secos (amêndoas, figos) e vinho, alcançando portos distantes em Itália e na Flandres.
O terramoto de 1755, a peste (1645-6) e o assoreamento do porto levaram ao declínio. Em 1766, o Marquês de Pombal fundou uma fábrica de tapeçarias. Em 1833, uma expedição liberal chefiada pelo Duque da Terceira desembarcou numa praia perto de Tavira e iniciou a marcha para Lisboa que derrubaria D. Miguel.
Castelo e Igrejas Principais
Castelo
Do Castelo de Tavira restam retalhos das muralhas agora restauradas. Originalmente teria planta trapezoidal, com sete torres, e provavelmente terá sido edificado pelos mouros sobre um antigo castro romano, sendo reconstruído e reforçado por Dom Dinis no século XIII. Entre as casas podem ainda ver-se troços das muralhas defensivas e o Arco da Misericórdia.
Igreja de Santa Maria do Castelo
Construída no século XIII, em estilo gótico, provavelmente sobre a antiga mesquita muçulmana. Ficou arruinada na sequência do terramoto de 1755. O Bispo do Algarve D. Francisco Gomes de Avelar promoveu a sua reconstrução nos finais do século XVIII, atribuindo a responsabilidade do projecto ao arquitecto Francisco Fabri. A igreja reconstruída adoptou as formas do neoclassicismo, mas manteve algumas sobrevivências do antigo templo, como o pórtico gótico da fachada ou as capelas laterais.
Na capela-mor encontra-se o túmulo de D. Paio Peres Correia e o dos sete cavaleiros mártires. Possui capela manuelina dedicada a Nosso Senhor dos Passos (século XVI), talha dourada, azulejos decorativos (século XVIII) e valiosas peças litúrgicas.
Capela de Nossa Senhora da Consolação
A sua origem remonta a 1648, altura em que foi criada a confraria de Nossa Senhora da Consolação dos presos. No seu interior possui um retábulo maneirista de meados do século XVII, integrando pinturas de temática mariana e azulejos policromados.
Igreja de S. José do Hospital
As suas origens remontam ao século XV, no entanto, em consequência do terramoto de 1755, teve que ser reconstruída ficando concluída em 1768. Apresenta uma planta de nave única octogonal de lados desiguais. O retábulo é um interessante exemplar de pintura em "trompe l'oeil", de arquitectura fingida, executada pelo pintor Joaquim Rasquinho em 1805.
Mais Igrejas
Igreja de Santo António dos Capuchos
Começou a ser construído em 1612. Possui obras de interesse, como o "Trânsito de Santo António", constituído por três grupos escultóricos em barro, representando passos da vida de Santo António. Frescos na abóbada da capela-mor, talha dourada e órgão com talha dourada.
Ermida de São Sebastião
Desconhece-se a data da sua fundação. Sabe-se, todavia, que foi reconstruída em 1745. O interior apresenta uma interessante decoração do estilo barroco, com paredes revestidas por madeira pintada com marmoreados e motivos em "trompe l'oeil" enquadrando um conjunto de dezasseis pinturas sobre tela.
Igreja de Nossa Senhora das Ondas
Também conhecida como Igreja dos Pescadores, remonta ao reinado de D. Manuel. No século XVIII sofreu algumas alterações. No interior devem ser realçadas as pinturas existentes no tecto e a imagem de Nossa Senhora das Ondas. Na Casa dos Pescadores, junto à igreja, encontra-se um precioso estandarte da Associação dos Marítimos, bordado a ouro e prata.
Antigo Convento e Igreja dos Ermitas de S. Paulo
A sua construção iniciou-se em 1606. Apresenta uma planta de cruz latina e integra-se no âmbito da arquitectura "Chã". O interior contém um interessante acervo de pintura, talha e imaginária religiosa dos séculos XVI, XVII e XVIII.
Igreja do Convento de Nossa Senhora do Carmo
Fundou-se o convento em 1745. A igreja ficou pronta em 1789, tendo sido erguida e decorada dentro da estética tardo-barroca. Notável talha dourada a cobrir o interior e rico cadeiral do coro.
Outros Monumentos
Ponte Romana
De origem romana, esta ponte fazia parte da estrada romana que ligava Faro e Mértola. Foi reconstruída no século XVII e permanece como símbolo icónico de Tavira, atravessando o rio Gilão no coração da cidade.
Câmara Municipal
Edifício impressionante com arcadas medievais. Num dos cantos encontra-se uma cabeça esculpida de um guerreiro que a tradição identifica como D. Paio Peres Correia, que conquistou a vila aos mouros.
Forte de São João de Tavira (Forte do Rato)
Construído no século XVI, à entrada do rio Gilão, com o propósito de defender o porto de Tavira. Foi remodelado durante a Guerra da Restauração (1640). Construção poligonal, expandida no século XVIII.
Informações Práticas
Localização: Tavira situa-se no Algarve oriental, a aproximadamente 30 km a este de Faro e 20 km da fronteira espanhola em Vila Real de Santo António.
Como Chegar: O Aeroporto de Faro é o aeroporto internacional mais próximo, a cerca de 40 minutos de carro. Tavira tem estação ferroviária na linha regional do Algarve com ligações a Faro e Vila Real de Santo António.
Praias: As praias do Parque Natural da Ria Formosa, incluindo a Ilha de Tavira, são acessíveis de barco a partir da cidade. Estas praias de ilhas-barreira oferecem areias imaculadas protegidas do desenvolvimento.
Melhor Altura para Visitar: Tavira é encantadora durante todo o ano. A Primavera traz flores silvestres, enquanto o Outono oferece temperaturas agradáveis para explorar o centro histórico. A cidade é menos movimentada do que as estâncias do Algarve central.